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Estamos Todos Bem
(Stanno Tutti Bene/1990)
Direção: Giuseppe Tornatore • com: Marcello Mastroianni (Matteo Scuro), Marino Cenna (Canio), Norma Martelli (Norma), Roberto Nobile (Guglielmo), etc

Com poucas exceções, só mesmo o bom cinema italiano consegue produzir filmes tão sensíveis quanto este "Estamos Todos Bem", de Giuseppe Tornatore.

O diretor - que ficou conhecido mundialmente pelo clássico "Cinema Paradiso", realizado quando ele tinha apenas 33 anos - apresenta nesse filme algumas de suas marcas registradas, como a presença de atores mirins, a forte ligação dos personagens com suas cidades de origem e uma bem sucedida associação com o genial compositor Ennio Morricone. "Estamos Todos Bem" foi produzido um ano depois de "Cinema Paradiso" e estrelado pelo insuperável Marcello Mastroianni.

O filme conta a história de um viúvo septuagenário que decide deixar a Sicília para visitar cada um de seus 5 filhos espalhados pela Itália. A jornada do adorável velhinho é repleta de considerações sobre a modernidade, a falência das relações familiares e tem um delicado jeito de enxergar a terceira idade e suas questões.

Observar o distanciamento entre pais e filhos, da maneira como o filme expõe, dá ao espectador uma sensação de nó na garganta.

A vida, mesmo que a gente finja não saber, afasta as pessoas e caminha sempre na mesma direção, como um livro com final conhecido. Nesse sentido, é difícil não lembrar da comédia de humor negro "Parente é Serpente", do grande Mario Monicelli, na qual um casal de idosos reúne os filhos e anuncia que deseja morar na casa de algum deles. Em sociedades católicas, como a italiana, o tema é recorrente e mal resolvido.

Ao ver o bem humorado Dom Matteo zanzando pela Itália de trem, preocupado com suas "crianças" e se chocando inocentemente com os efeitos da vida moderna, é impossível não pensar em quanto perdemos com bobagens e futilidades no dia a dia. Cada filho de Matteo tem seus problemas e esses problemas são frutos de uma nova organização social e familiar. Assim, eles se tornam reféns de casamentos fracassados, da busca frustrada pelo sucesso profissional e criam seus filhos sem diálogo, mergulhando finalmente na solidão/depressão.

Em meio a um delicado e sugerido romance, Matteo é aconselhado por uma charmosa senhora a desistir de sua viagem e voltar para a Sicília. Afinal, descobrir algumas "verdades" sobre os filhos crescidos não costuma valer a pena. Só que o velhote é teimoso e segue em frente, causando desconforto na filharada que, carinhosamente, o recebe e o faz pensar que estão todos felizes.

"Estamos Todos Bem" tem a poesia dos outros filmes do diretor, sem cair no sentimentalismo piegas ou em julgamentos de caráter. Melhor ainda: o filme tem humor na medida e um ator excepcional que dá dignidade a seu personagem.

O cinema americano também mostrou velhinhos que caem na estrada para entender o mundo ou resolver questões familiares. Jack Nicholson, em "As Confissões de Schmidt", e Richard Farnsworth, em "História Real", são quase tão carismáticos quanto Mastroianni e servem como referência para compararmos como povos diferentes tratam o tema da terceira idade e suas implicações. Os italianos, por alguma razão, me comovem de um jeito especial.




 Escrito por Mr Eddy às 12h54
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